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51.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Quando foi da formação do quinto governo provisório, eu procurei que dois padres fizessem parte do mesmo governo. Esses padres aceitaram sem qualquer hesitação [51] , o que revela o seu espírito patriótico e o elevado conceito em que têm a sua ação social – aliás, de acordo com o concílio vaticano dois e o espírito da igreja moderna. [51] De entre todas as coisas, estas e mais outras: o abraço de um amigo cuja face não viam há tempos; o medo de um estrangeiro de semblante aparentado ao dos vizinhos que se deleitam com o crime; a promessa provinda da voz calma e melodiosa que acompanha um homem revestido por panos de cor sóbria; o insulto gravado num decreto que dobra a vontade humana ao desígnio de um...

50.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Como ficarmos calados perante a ação temporal  [50] profundamente reacionária de alguns párocos de aldeia que, dos púlpitos ou em gazetas paroquiais, semeiam o ódio em vez do amor do próximo? [50] Ui! O que chovia nessa noite longuíssima. Lembro-me. Parece que todo o céu choveu de uma só vez, inteiro embora às partes, fragmentado em águas e eletricidades. No sombrio da noite choveram oceanos e relâmpagos que bastassem para que o país mais seco se pudesse florestar, para que o país mais industrial pudesse manter todas as suas máquinas em perpétua ação. No instante que corre do ocaso à alvorada caiu uma extravagância. E nós, sentados pelas cócoras em torno de uma fogueira tímida e cobarde. Até o fog...

49.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Desejaria agora falar da igreja. E peço a todos os camaradas a melhor compreensão deste assunto. Sempre tenho combatido o anticlericalismo. O senhor cardeal patriarca de lisboa sabe-o bem pelas conversas que tem tido comigo. Reconhecemos que temos cometido alguns erros em certas campanhas de dinamização cultural, por exemplo, e a decisão de não entregar a rádio renascença ao patriarcado foi, quanto a mim, um erro grave. Contudo, os erros que cometemos não justificam de modo nenhum a campanha que determinados membros da Igreja, e dos mais eminentes, têm ultimamente desenvolvido. Nós pensamos que a igreja pela sua missão evangélica deve ser uma aliada da revolução democrática e socialista portuguesa, qu...

48.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. E é muito mais fácil parar durante meia hora o trabalho, do que amanhã ter que defender, com o risco do próprio sangue, com a própria vida, as conquistas revolucionárias. Conscientes de que a batalha da produção e da economia não pode ser separada dessa ação de massas, nem tão-pouco prejudicada, exorto os trabalhadores a compensar essa meia-hora de amanhã [48] , num determinado dia e hora, para que assim demonstrem a portugal, aos seus compatriotas, a sua disciplina revolucionária, o seu civismo, o seu ardor patriótico – o seu amor à liberdade! [48] Ao todo, chegariam sete camiões carregados durante a manhã. Outros cinco chegariam só depois do almoço. Atrasados, talvez. Embora atraso seja um termo dif...

47.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. As liberdades e garantias individuais, a constituição livre de partidos políticos, os direitos de reunião e de associação, as novas relações de trabalho, a unidade sindical, as nacionalizações, o controlo da produção pelos trabalhadores, a reforma agrária. Isto não merece a pena, lutar-se por isto? Os trabalhadores dão um alto exemplo de consciência cívica e de unidade, mostrando ao seu povo o caminho da luta firme, tenaz, quotidiana pela liberdade e pela democracia. Eu desejaria dizer o seguinte: durante essa paralisação, os trabalhadores que a ela aderirem, devem-se obstinar, em esclarecer os seus camaradas, em lhes explicar os motivos dessa paralisação. Em promover a unidade dos trabalhadores e não...

46.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Não é uma ação reivindicativa, é uma ação patriótica e verdadeiramente moral. É preciso que as pessoas tenham bem consciência disto. Que ao assumir essa responsabilidade, estão a assumir um grave risco moral, da posição que amanhã tomarão. Os trabalhadores portugueses devem alertar e mobilizar o país com a sua ação. Unidos, coesos, conscientes dos seus deveres para com os seus compatriotas, essa paralisação não é uma ação de carácter laborai, mas uma ação patriótica destinada a alertar a consciência de todos os portugueses para a defesa das conquistas obtidas depois do vinte e cinco de abril. Eu repito, entre outras, algumas destas  [46] conquistas obtidas. [46] Pares de meias, catorze, dois para ...

45.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Eu quero aqui afirmar com veemência que considero isso uma ação de paz e não uma ação de guerra. É uma ação de paz. Desejo também afirmar, que é uma ação de unidade e não uma ação de divisão. Porque é antes de o perigo estar sobre nós, que nós deveremos lutar contra ele. É uma ação profundamente moral , [45] não é uma ação partidária. [45] Os dragões, criaturas cuja perfídia namora o amor pelo ouro reluzente, têm as carnes cobertas de escamas frias e duras. É verdade. Toda a superfície do dragão é rigidez e crua frialdade, um poema vivo às ambições e aos desejos dos portadores de nomes que se desejam imortalizar. Mas o calor que lhes emana das narinas fumegantes, do bafo abrasivo, também ele nasce das...

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