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vintissinco dabris (1)

-404 Quando o sol nascente banha de ouro o Taígeto a 25 de abril, a populaça de Esparta poderia tomar um café da manhã especial: afinal, hoje celebra-se a vingança de Siracusa. Por toda a parte poderiam correr crianças sorridentes, os seus pais e mães não menos contentes, voltando-se na direção do Pireu para a qual atirariam pedrinhas em festa. Simbolizariam assim a desmontagem em ritual humilhante das Longas Muralhas, na qual o vencedor do Egospótamo, o modesto e orgulhoso Lisandro, ruiu as paredes de guerra que sustentavam a vaidosa democracia de Atenas, queimando as trirremes desse pretenso policiador do Egeu ao Negro, supliciando o Dardanelos e o Bósforo, e espalhando a glória de Esparta sobre a Ática. Tristemente, não sobra nesta benfazeja data qualquer cerimónia orquestrada, nem pelo município e seus feitores, nem por qualquer honrosa comissão de festas, nem sequer por um par de avós que insistam em manter a moral antiga viva nas veias das netas. Passam por este dia como fora out...

vintissinco dabris

Hoje Há uma ideia que por vezes perpassa pelo espírito dos homens, aliás dos Homens, dos que são ou se tornam grandes, se por terem tocado nessa ideia, se por dela terem sido reféns, nunca se saberá, sabendo-se, no entanto, que não são grandes por medidos em volumosos centímetros. Eis a ideia: tão simpático, belo e beatífico seria, que onde quer que o sol possa produzir sombras, num mesmo instante e em todos os lugares, se convocassem os espíritos em uníssimo para orar a mesma prece. Ato falhado no contínuo da história, atestam a sua pujança a dispersão em que se encontram recorrências na crença e cópias no mito, em terras tão vastas que entremeadas por estranheza e omissão. E também os alguidares de sangue, fervorosamente ordenhado por qualquer pedaço de pele que tenha o infortúnio do pensar adverso. Há ainda outra ideia, uma experiência, uma que ocorre nos espíritos falidos, nos fracos, aqueles que são os primeiros a desencorajar os próprios desígnios, e que nunca conheceram nem a c...

72.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Viva a unidade  [72] no seio das forças armadas! Viva o movimento das forças armadas. Viva a unidade entre os partidos políticos progressistas! Viva a unidade de todos os trabalhadores! Viva a aliança do povo e do movimento das forças armadas! Viva a nossa pátria. [72] Num nó. Bem atada e espartilhada, não há multiplicidade que possa escapar à união. Um grupo de estames de cereal torna-se uma singularidade. Qualquer açaime pode produzir a identidade sobre um grupo de indivíduos. Um nó cerrado, uma mordaça, já era assim que os faraós passeavam os egípcios, que os imperadores traziam os cidadãos romanos, as suas mulheres e os seus escravos. Numa grilheta bem seriada, até já se puderam construir carr...

71.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Por isso eu repito, agora que a revolução está em perigo, e que o fascismo está a levantar a cabeça para recuperar o que perdeu  [71] depois do 25 de abril, todos os antifascistas, todos os patriotas, todos os democratas, seja qual for o partido a que pertençam, seja qual for o seu credo, seja qual for a sua religião, sejam quais forem as suas ideias, desde que sejam sinceramente democratas e patrióticas, devem unir-se numa frente de defesa das liberdades democráticas, inabalável e indestrutível! [71] Só quando terminou de dibujar uma base de flores sobre o espaço tingido num pálido amarelo-torrado, ali bem entre o bloco de texto que falava sobre uma dinastia qualquer, a reprodução de uma tela ant...

70.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Assim é que se defende o partido único. Desejo também afirmar, para que ninguém tenha dúvidas do que é que eu penso, que quando fizemos o vinte e cinco de abril foi para dar a liberdade aos portugueses de terem o partido que quisessem a menos que fossem fascistas [70] . [70] Quintessência publicitária da democracia nos confins inversos aos nipónicos, as terras do ocaso, é esta tímida adesão à naturopatia: que a dose malograda de um veneno se combate com uma dose mais miúda do mesmo. E daí que, reclame após reclame, em cada capa de jornal, nas quadras que se gritam nas ruas, nas faixas pintadas à mão, se diga em gordas vogais, que o bom e belo está em querer mas em doses menores, em dose cada vez mais ...

69.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Mas não é hoje, com os ataques que se vêm às sedes dos partidos políticos da esquerda, e lá agora me chamarão outra vez “Pró-comunista, lá está o comunista a falar”. Não é desenvolvendo atividades que levaram ao desencadeamento destas ações que nós vemos de reação e do fascismo e que levaram ao assalto e ao incêndio  [69] dos partidos políticos da esquerda, e eu chamo os bois pelos nomes, do partido comunista português, não é desenvolvendo ações desse tipo que se defende o pluripartidarismo. [69] A mãe acabava de colocar as sandes na mochila e já não era sem tempo, tornara-se impossível decidir qual das duas crianças estava mais infernal. O pai decidiu que teria sido melhor ideia ter mantido algum...

68.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Por isso, agora que o fascismo, mercê das nossas hesitações, ambiguidades e querelas subalternas, eu aqui quando refiro nossas é de todos os portugueses, está a levantar cabeça para recuperar o perdido em vinte e cinco de abril, todos os antifascistas, todos os patriotas, todos os democratas, seja qual for o partido político a que pertençam... Porque nós defendemos, defendemos na prática, o pluripartidarismo, defendemos isso na prática, defendemos um país sem partido  [68] único em que haja uma frente de partidos progressistas, partidos progressistas verdadeiramente interessados no socialismo, mas não é o que se passa hoje. [68] Só mais tarde Alice foi capaz de compreender que tinha tombado precis...

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