47.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam.

As liberdades e garantias individuais, a constituição livre de partidos políticos, os direitos de reunião e de associação, as novas relações de trabalho, a unidade sindical, as nacionalizações, o controlo da produção pelos trabalhadores, a reforma agrária. Isto não merece a pena, lutar-se por isto? Os trabalhadores dão um alto exemplo de consciência cívica e de unidade, mostrando ao seu povo o caminho da luta firme, tenaz, quotidiana pela liberdade e pela democracia. Eu desejaria dizer o seguinte: durante essa paralisação, os trabalhadores que a ela aderirem, devem-se obstinar, em esclarecer os seus camaradas, em lhes explicar os motivos dessa paralisação. Em promover a unidade dos trabalhadores e não a sua divisão. Não devem ser sectários, não devem ter pouca paciência [47] para quem não aderir, mas explicar-lhes, fazer-lhes compreender o que está em risco, os altos valores nacionais, a independência da nossa pátria, a consolidação das conquistas alcançadas que estão em risco.



[47]

Mas têm. Ela é a causa da quase totalidade das tragédias que se abatem sobre as comunidades. Das guerras em que os corpos cobrem o solo de sangue, de muitas das fomes em que as costelas colam a pele às vísceras. É que apesar das palavras pedagogas que os tutores lançam aos príncipes, apesar das advertências cautelosas que os conselheiros oferecem aos reis, apesar das lições ponderadas que os anciãos dão aos líderes, não houve ainda maneira de os convencer a não ter pouca paciência. Um infortúnio das ciências da educação é só terem aprendido a ensinar paciência aos desvantajados. Com estes, de algum modo é possível ensinar a aguardar pelo dia curto que sucede o final da longa noite, a esperar pelos anos de vacas gordas que emergem depois dos anos de vacas magras. É talvez a sua única valia. Mas vários foram os filósofos de corte que ponderaram se tais competências não seriam mais bem empregues na mão que segura o ceptro. Por vezes o disseram. Em resposta: risos. Os cortesãos julgaram tratar-se de boas piadas. 


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