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A mostrar mensagens de agosto, 2025

26.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Entenda-se que liberdade não deverá ser definida em termos apenas negativos, ou seja, como ausência de restrições [26] . A liberdade é isso, mas não é só isso. Se fosse só isso, rapidamente degeneraria no ato gratuito, na obediência aos impulsos mais imediatos. A ausência de restrições é uma condição de liberdade, mas, mais do que isso, há que definir a liberdade em termos positivos e essa definição passa pela responsabilidade. Ora, uma liberdade que exija como contrapartida a responsabilidade é o que não existe atualmente entre nós. E é essa situação que se procura manter com a tal tática de insistir na acusação de que a informação não é livre. Numa palavra, afirma-se que a imprensa não é livre para ...

25.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Mas o importante a acentuar é que essa falta de liberdade que lamentamos não é a mesma falta de liberdade que os nossos detratores apontam. A falta de liberdade que deploramos é o mau uso que se faz das liberdades que conquistámos com o vinte e cinco de abril e que rapidamente se transformaram em permissividade irresponsável e em libertinagem. Porque, não devemos esquecer, a liberdade não é de forma alguma um direito fácil. Aprende-se praticando-a [25] , mas é preciso que haja consciência de que ela constitui um longo percurso e que não basta tirar os açaimes para que ela surja em toda a sua inteireza e responsabilidade. [25] Os mitos de origem começam todos assim: no antes era nada, logo a seguir hou...

24.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Os métodos são pelo menos muito semelhantes. Ao argumento sereno prefere-se o insulto dirigido, à crítica fundamentada substitui-se o sarcasmo ridicularizador, a guerrilha verbal, a intimidação psicológica, técnicas estas muito do agrado das estratégias que apelam mais para o instinto do que para a razão. Sim, em rigor, não podemos dizer que haja liberdade de informação em portugal [24] . [24] A que outrora por cá esteve, não tardou a partir para paragens menos sazonais. Por cá, deixou as marcas de uma subtil passagem, os ecos de palavras que foram pouco mais que talvez. E família. Ao voar ao encontro do seu destino, a liberdade de informação deixou entre nós primos e primas, condicionalidades de info...

23.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Certa imprensa portuguesa roça, hoje em dia, pela quase obscenidade [23] , o que faz temer que ela venha a tomar-se perigosamente fascista a muito breve prazo. [23] Desgraçado, o agente T.Alves comenta que nunca vira nada assim. Quem o ouve acredita, o agente não terá mais que a vintena de anos, a falta de experiência sua-lhe pelos poros todos. Enquanto esperamos por mais informações – as que tardam a chegar já que a minúcia dos procedimentos parece excitar os profissionais de quaisquer lugares e empregos, pelo que estes se demoram em quaisquer deles, deleitados e devotos, derretendo numa volúpia que escapará a quem vive tangente a uma especialidade, tocando-lhe apenas nos instantes em que o acaso, o ...

22.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Sabemos como tem sido ultimamente explorado esse estratagema – o estratagema do boato, da calúnia, da notícia infundamentada. A princípio certos jornais manejavam tais armas com subtileza, através da insinuação, das alusões, da manipulação velada. Atualmente, a tática aparece aberta e desbragadamente. A linguagem insultuosa, o culto do esgar grosseiro, o recurso irresponsável ao boato e mesmo à mentira, mostram à evidência que a libertinagem impera [22] em certa imprensa, da forma mais impune e irresponsável, atropelando constantemente a lei da imprensa, talvez pela certeza que depositam na inoperância da nossa máquina judicial para a fazer cumprir. [22] Nenhum dos grandes mestres da estratégia permi...

21.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Há que reconhecer que esse foi um erro do governo: permanecer quieto e indiferente à calúnia sem sequer defender-se [21] , na esperança um pouco idealista de que só a verdade é revolucionária. Isto não significa que mudemos agora de opinião, mas achamos que para além do carácter revolucionário da verdade não podemos ignorar que a mentira é uma das grandes armas da contrarrevolução, sendo nosso dever combatê-la incansavelmente. [21] «Contar-te-ei agora por estas palavras, ó Pastor dos Avisados, disto que se diz ter ocorrido na China, nesse tempo em que ela fora maior que grande porque o seu chão era pisado por pegadas de profetas que mil e um anos depois ainda estão gravadas no coração  de setenta ...

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