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A mostrar mensagens de maio, 2025

8.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Não satisfeitos com a total liberdade de que desfrutam no país, tais indivíduos, ao verem que o tempo trabalha contra os seus interesses de politiqueiros ávidos de poder, transformaram-se, sem vergonha, nos principais fornecedores das oficinas reacionárias [8] que, em portugal e no estrangeiro, porfiam em lançar o descrédito sobre o nosso empreendimento patriótico a que deitámos ombros , desde o vinte e cinco de abril, para que cada português seja livre e feliz . [8] Qualquer moleque de ensino simples descobre pelas eurecas da própria mente que o pobre Newton tinha, apesar de toda a sageza por que é louvado, duas importantes limitações: o tempo e o tempo. Talvez resultado de uma pancada na cabeça, pr...

7.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. É verdade que procedendo assim estou a singularizar-me, a destoar na pecha provinciana que leva certos políticos a exibirem publicamente as mazelas para suscitarem simpatias e apoios, e a confiarem mesmo aos mais diversos órgãos de informação estrangeiros os seus hipotéticos pavores, os seus medos apocalípticos e, de modo geral [7] , por mais que os disfarcem em tiradas de fervor democrático, os seus ressentimentozinhos de ambiciosos frustrados... Enfim, essa gente é como é – e eu sou membro do movimento das forças armadas.   [7] ... fazendo o que melhor faz o povo português sempre que urge a necessidade na circunstância desabastada, que é dar corpo e vida ao insulto que nestas terras é virtude, s...

6.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Membro do diretório, não exporei o meu ponto de vista sobre o que se passa no seio das nossas forças armadas. Não o farei. Não o farei por razões de ética militar e dignidade. E sobretudo porque sou membro do movimento das forças armadas. E é como tal que aqui estou. Eu sou membro das forças armadas e essa tem sido a maior honra que eu tive na minha vida. Trata-se de uma questão de moral. É, portanto, uma questão de moral, já que, para mim, moral e política vão de par, não se podem dissociar[6].   [6] Dão as mãos sem se largar. Embrulham-se para que a cara de uma se esconda no peito da outra. Juntas encaram e desfrutam a vida na sua completude, o calor amoroso do sol amolecendo o frio instalado nu...

5.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Atravessa o nosso país uma crise grave – política, económica e social. Crise de autoridade  [5] igualmente.   [5] Tinha-o descoberto da pior maneira: os olhos afetados por uma luz mortiça, quebrada, periclitante, e o rabo frio, oh, o rabo tão frio. Até àquele momento, ainda balançava entre o medo e a esperança, a possibilidade do cancro, a eventualidade de um intestino que quebrava perante um prato condimentado. Todas as ilusões se desfazem perante os factos – cria nisso com tão forte convicção que tudo fez para empurrar a prospeção da verdade: inventou horas extra no trabalho, amigos em apuros, até, veja-se, fazer companhia à avó nesse rito antiquado que era a missa. Adiara a ida ao hospital...

4.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Eu alinhavei, contudo, algumas palavras que, sob certos aspetos, considero muito importante focar agora. Isto não é um trabalho literário. Toda a gente sabe que eu não sou um literato, nem interessa que haja aqui literatos. O que interessa é que haja homens transparentes que digam a verdade ao povo na linguagem que ele entende [4].   [4] Aqui. Usando inteiramente a vista. Há alguém que possa dizer que não sabe o que está atrás de mim? Não. E porquê? Porque o podem ver. Quem me olha, vê ainda uma parede. Olha-me como se tivesse a substância material das palavras, uma existência que ocupa mais os ouvidos que a vista. E que ouve? Tudo quanto se pode definir como inteligível, perceptível, entendível, ...

3.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Mas eu contarei, em breve, ao povo português, para que saiba bem [3] , para que seja bem lúcido, diversas e diversas peripécias por que passámos, nós os portugueses, a revolução, nas últimas semanas. Eu contarei isso em tempo oportuno, e em breve.   [3] Começando, claro, pelo início. O Alfa, se assim mo permitem. O ovo. A origem, que no fundo mais não é que um verbo. Ah, e que verbo é! O principal, dir-se-ia, porque mais que todos os outros, fundamental. Contarei esse verbo original. Que é ele? Pois não se enganará quem soar confuso e disser ao camarada que tiver pela direita que não passa de um substantivo. Não. Nem se equivocará quem soar destrambelhado e murmurar para o camarada à sua esquerda ...

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