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excerto BH3.98.ZX2740

Excerto da intervenção da Doutora A.C.Silva, " ", no III Colóquio de Decadência dos Povos do Norte Global”, aos 18 de agosto de 213- desta era.  "Mas esse caminho de encontro ao orgulho absoluto não se poderia trilhar de forma simples. As sociedades cosmopolitas dos finais do século vinte estavam demasiado convencidas que tinham ultrapassado o estágio da barbárie. Havia, pois, que usar uma linguagem sofisticada, mais ciente das sensibilidades etiquetadas, para semear o gérmen do retorno ao tribalismo que é vocação dos povos sadios. Um dos instrumentos sabiamente encontrados para que os cultos pudessem desmamar os vícios da internacionalização e do universalismo foi o chamado património imaterial, conceito obnóxio utilizado nessa fase era que a tradição era tida por matéria indesejável. Lentamente, as populações foram capazes de se reencontrar, de descobrir o que as tornava únicas, o que as afastava das outras. Em algumas décadas, renasceram aqui e ali sob a forma de co...

excerto 123.B6.0375

Excerto de artigo de opinião "Quando dói a unha do dedo grande do pé" de O.Vinte publicado n'O Diário da VII República" aos 29 de fevereiro de 223-. "É cada vez mais recorrente que se oiça o azedo queixume dos que se informam pelos poemas afetados de gravidade e deficitários na lírica: "vivemos como na torre de Babel". E nada pode fazer para evitar a surdez e a rouquidão que o instalam nos corações beatos. Urge reconhecer que esta é a decoração com que pintamos o nosso império, no século que os nossos precedentes profetizavam paradisíaco: a nossa linguagem veste-se de surdez, rouquidão e queixume. Este zaitegaicete impregna os tampos mesas dos cafés, a tinta das paredes dos restaurantes, as caleiras dos edifícios e o cesto do pão, e rouba-nos o gozo de um mundo em que ainda há quem saiba narrar o tempo que todos sentem, onde o tilintar do garfo caído é partilha comunal, no qual o murmúrio da chuva aprisionada que não desiste do reencontro com a água mã...

excerto 2/22/222.2222-(2)

Da aula de epistemologia da história de Z.M. Auel "Como a Ciência da História Pode Provar a Inteligência Humana Com Melhor Sucesso Que um Exame de Matemática", proferida sobre um banco de jardim em frente à saída geral do metropolitano pelas dezoito horas de uma tarde quente a 8 de novembro de 209-. "Há momentos na história em que um estalo na cara aparenta ser mais verídico que uma palavra de amizade. Outros em que a injúria verbal é tida como tendo maior peso que um piano a cair do sétimo andar. Já se sabe que a vocação de cada um de nós irá determinar o valor que depositamos em um e outro aspetos. Aos historiadores a palavra será marca indubitável dos acontecimentos, o traço que denuncia o bailar da saga humana: confiam que os eventos sucedem a combinações de sons. Aos arqueólogos serão o capacete ferido pela bala, a biblioteca erguida, a habitação derrubada, o arco triunfal, a vala comum, quem fará testemunho credível dos acontecimentos. Impossível dizer se uns ou ou...

excerto BH3.98.ZX2738

 Excerto da intervenção da Doutora A.C.Silva, " ", no III Colóquio de Decadência dos Povos do Norte Global”, aos 10 de junho de 213- desta era.  “Não se pode dizer que uma nação que explora as suas possibilidades com criatividade curiosa esteja morta, nem sequer que use desse mesmo perfume que aromava os bons e velhos tempos. Embora seja extenuante a distância entre reconhecer e glorificar a juvenilidade de um povo. Do Renascimento, certas nações emergiram como bebés, capazes apenas de observar os seus mais velhos, lentamente aprender com eles. Ao pubescerem, estas sociedades cortaram com tudo o que havia sido, formularam um mundo somente seu, dedicado a alienar e estarrecer todo o bom senso construído. Claro que, desconsideradas como trivialidades boçais dos jovens, apenas se espalharam entre comunidades da mesma idade. Perigoso é que uma nação mais velha, envergonhada de ter perdido a juventude e sentindo-se distante da idade sábia, pode por vezes emular o comportamento d...

excerto 21C.FGJ25.038472

Excerto de rascunho rejeitado para capítulo "Povos proto-digitais da Ibéria no século 21" do manual escolar "História Antiga do Reino Oeirense", marcado com data não posterior a setembro de 221- a contar das bodas de Caio César com Lívia.  "Como todas as epidemias, também esta era cíclica: pela segunda vez, este vírus comedoiro entrava pelo extremo ocidental da Ibéria, e novamente com sotaque estrangeiro. Da primeira vez, tinha vindo com a casa de Borgonha e dos seus aliados das ilhas britânicas, e espalhava-se como um manto fúngico pelas aldeias e cidades muralhadas, dividindo os habitantes entre os pacientes e os pacíficos. Da segunda vez regressava vindo do anglofoníssimo novo mundo, depois de ter cruzado o Atlântico e se temperar com sotaques francos, mas onde tocou produziu o mesmo efeito, estilhaçando o povo, essa massa de gente anónima que sofre em comunhão, forçando lealdades para com uns ou outros que não eles. O fungo era o mesmo: a ideia de que um po...

excerto 123.B4.0975

Excerto de artigo anónimo publicado n'O Diário da VII República" aos 30 de fevereiro de 223-, em direito de resposta ao artigo de opinião "A excelsa vocação do otimismo português" por X.A. Santos, de 29 de fevereiro de 223-. "O português foi criatura genuína até à segunda metade do século vinte. Até então, predominava nele a qualidade animal, o espírito bestial que se encontra ainda hoje no cão e no elefante que, sentindo que os sinos estão prestes a narrar o seu fim, se isolam dos parentes para contemplar a finitude e o reencontro com o cosmos, porque sabem que o destino é um caminho que já está escrito, e que a vida é a arte de o saber ler calcorreando o chão com as patas, as palmas das patas, os olhos dos espíritos que se sabem cegos. No final desse século, o português, tragicamente, finou, a sua alma contaminada pelos vícios dos povos frios, os epi-siberianos e os supra-mexicanos, que lhe derrotaram a biologia fazendo-o crer na mais infantil das narrativas: ...

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