excerto BH3.98.ZX2738

 Excerto da intervenção da Doutora A.C.Silva, " ", no III Colóquio de Decadência dos Povos do Norte Global”, aos 10 de junho de 213- desta era. 

“Não se pode dizer que uma nação que explora as suas possibilidades com criatividade curiosa esteja morta, nem sequer que use desse mesmo perfume que aromava os bons e velhos tempos. Embora seja extenuante a distância entre reconhecer e glorificar a juvenilidade de um povo. Do Renascimento, certas nações emergiram como bebés, capazes apenas de observar os seus mais velhos, lentamente aprender com eles. Ao pubescerem, estas sociedades cortaram com tudo o que havia sido, formularam um mundo somente seu, dedicado a alienar e estarrecer todo o bom senso construído. Claro que, desconsideradas como trivialidades boçais dos jovens, apenas se espalharam entre comunidades da mesma idade. Perigoso é que uma nação mais velha, envergonhada de ter perdido a juventude e sentindo-se distante da idade sábia, pode por vezes emular o comportamento disparatado dessas mais jovens e acaloradas. O espetáculo que uma tal sociedade provoca não é distinto de observar alguém numa crise de meia-idade: sendo fenómeno natural e frequente, por onde passa arrasta uma brisa desconfortável. Bem... Se é sabido que os povos mudam ao longo das distâncias que ultrapassam vidas inteiras, só a implacável fúria dos jovens, que os obriga a permanentemente sacudir a paz dos espíritos mais sinceros, concebe que essa mudança se deseje enquanto atributo matricial da sua identidade coletiva. Este negro período, tristemente cooptado pelos povos que nasceram após o fim das trevas, foi de tal modo amante da perturbação dos costumes que perverteu até as casas públicas que nobremente se esforçam a manter na atualidade aquilo que está velho e desgastado: nelas se recolheram acervos onde louvavam essas ideias histéricas e perturbadoras, juntando os feitos de várias nações num mesmo espaço, buscando as maravilhas feitas por todas as humanidades em todas as eras de todas as terras. A pueril ideia, que ainda hoje agradará aos espíritos mais sensíveis, às almas que receberam na dádiva a porção maior da caridade e a menor do medo, funcionará para nortear a moralidade de qualquer ficção destinada aos mais novos. Ao resto de nós provoca, evidentemente, enorme aversão, por nos ser cristalino que tais espaços levam inevitavelmente a certas confusões grotescas. Os que estudaram esse período sabem certamente do que falamos: não foi raro, no tempo dessas coleções, quem pensasse que se poderia fazer parte de um povo independentemente do matiz da pele ou da proveniência dos avós. Felizmente as nações maduras foram capazes de corrigir estes desvios, colocando o passado ao serviço da construção étnica. Mas peço aos mais corajosos que cerrem os olhos e se permitam imaginar um mundo em que alguém diferente dos seus se poderia imiscuir na sua mesma casta, ser cidadão do seu país, ter um passado reconhecido nos seus museus. O grotesco que encontram nessa imagem foi, por momentos menos breves do que o desejável, uma realidade.”


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