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A mostrar mensagens de junho, 2026

parábolas de Carlos Marques e Frederico Egas aos filhos duma revolução (3)

parábola do arroio Vede aquela portentosa oliveira. Agora, olhai naquele sentido, deixando a atenção escorrer pela colina tal como faz o ouro que desliza evocando o ocaso. Acaso notais algum ribeiro, qualquer curso de água? Vós, que tendes a benesse de ser gentes de aqui, sabeis que tal curso apenas se mostra quando as águas crepitam nos céus. Mas notai que nem sempre o foi. Naquele tempo antigo, logo após se apartar a luz do breu, nos instantes colados ao divórcio das águas, o mesmo poder que moldou cascos, garras e unhas, deixou aqui concebido um rio. Logo o vendo, a oliveira disse "É fresco e agradável, e do seu mel nos podemos alimentar" e nisto sentou na beira do belo regato e começou a sorver desse sangue, e o rio sorriu, feliz por descobrir-se útil a alguém. Então vieram os choupos e perguntado à oliveira porque ali se detinha, ela o convidava a juntar-se dizendo "É temperado e húmido, com águas aceitáveis", e o ribeiro fez uma vénia, humilde por saber que ne...

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