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A mostrar mensagens de junho, 2026

vintissinco dabris (3)

1154 Há quem diga que o dia 25 de abril é o termo infeliz de um país. Há também quem diga que é a instauração de um país novo. Os proponentes de uma visão e da outra terão as suas razões, as quais certamente serão tidas e achadas por funestas pelos árbitros do campo adverso. Os vencedores são os que por regra da história cantam loas sobre tais eventos, daí serem raras as vezes em que uma multidão se junta para chorar em coro as exéquias de um regime, ao passo que não faltam as festas de aniversário realizadas para namorar os regimes implantados pelos que vigoram. É, pois, raro que num dia 25 de abril se encontre pelas ruas um cortejo tristonho e pálido, carpindo o fim desse antigo país, esplendoroso no seu tempo, que foi o Emirado de Damasco, casa dos turcos Búridas que tanta guerra fizeram aos francos que assomavam às terras do oriente mediterrânico imbuídos de maus intentos. Assim é porque nesse dia final de um regime nas terras que outrora foram quintal de hititas e de egípcios há u...

parábolas de Carlos Marques e Frederico Egas aos filhos duma revolução (4)

parábola da chibata Em certa quinta havia um homem que, preocupado em voltar, ele e os outros homens, rápido para junto de suas mulheres, auxiliava os trabalhadores dando-lhes ânimo e velocidade por meio de uma verga rija que assentava, em ritmo e compasso, nas costelas que serviam de tambor. Estes, que não reconheciam a previdência que tantas vezes os levara mais cedo ao lar, por vezes se queixavam da ajuda. Respondia-lhes o feitor, "Tanto queixume jorra dos vossos beiços, mas deste pedaço de vime nascido na vossa aldeia, que recolhi perante vossos olhos, que moldei e poli, jamais ouvi um choro".

réplicas dum terramoto (2)

Quando se passam as pontas dos dedos pelos muitos espécimes que são os manuais de escrita de ficção, fica-se com a vaga sensação de haver, entre os seus redatores, uma plena concordância quanto a esta ideia: antes de vingar, um herói deve sofrer tantas penas quantas lhe sejam possíveis. Aliás, há quem recomende que antes de chegar ao Olimpo, convém a um herói passar pelas brasas, que é como quem diz roçar um coma ou a morte, pelo menos três vezes em crescentes quadros sintomáticos. A verdade é que quando uma pessoa se abeira demasiado da morte, sobretudo se o fizer sucessivamente, tende mais a produzir uma campa do que um reinado. Mas também é facto que a maioria das pessoas sente um calor agradável no peito quando ouve falar da vitória de David sobre Golias, sobretudo se nunca viu uma fenda ser projetada na direção de um tipo munido de gládio, notando que tal é pouco diferente de disparar um mosquete sobre um espadachim. Afinal, esse David seria mais próximo do arqueólogo canalha repr...

parábolas de Carlos Marques e Frederico Egas aos filhos duma revolução (3)

parábola do arroio Vede aquela portentosa oliveira. Agora, olhai naquele sentido, deixando a atenção escorrer pela colina tal como faz o ouro que desliza evocando o ocaso. Acaso notais algum ribeiro, qualquer curso de água? Vós, que tendes a benesse de ser gentes de aqui, sabeis que tal curso apenas se mostra quando as águas crepitam nos céus. Mas notai que nem sempre o foi. Naquele tempo antigo, logo após se apartar a luz do breu, nos instantes colados ao divórcio das águas, o mesmo poder que moldou cascos, garras e unhas, deixou aqui concebido um rio. Logo o vendo, a oliveira disse "É fresco e agradável, e do seu mel nos podemos alimentar" e nisto sentou na beira do belo regato e começou a sorver desse sangue, e o rio sorriu, feliz por descobrir-se útil a alguém. Então vieram os choupos e perguntado à oliveira porque ali se detinha, ela o convidava a juntar-se dizendo "É temperado e húmido, com águas aceitáveis", e o ribeiro fez uma vénia, humilde por saber que ne...

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