vintissinco dabris (3)

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Há quem diga que o dia 25 de abril é o termo infeliz de um país. Há também quem diga que é a instauração de um país novo. Os proponentes de uma visão e da outra terão as suas razões, as quais certamente serão tidas e achadas por funestas pelos árbitros do campo adverso. Os vencedores são os que por regra da história cantam loas sobre tais eventos, daí serem raras as vezes em que uma multidão se junta para chorar em coro as exéquias de um regime, ao passo que não faltam as festas de aniversário realizadas para namorar os regimes implantados pelos que vigoram. É, pois, raro que num dia 25 de abril se encontre pelas ruas um cortejo tristonho e pálido, carpindo o fim desse antigo país, esplendoroso no seu tempo, que foi o Emirado de Damasco, casa dos turcos Búridas que tanta guerra fizeram aos francos que assomavam às terras do oriente mediterrânico imbuídos de maus intentos. Assim é porque nesse dia final de um regime nas terras que outrora foram quintal de hititas e de egípcios há um outro turco, de nome Noradine, que exalta a unificação da Síria debaixo do seu excelso comando ao entrar pelas portas da cidade vencida, perante uma multidão de outros turcos que haviam perdido a esperança de segurar o cerco a este imperial atacante, uns quantos outros que se haviam resignado a presumir bons augúrios ao se submeterem ao invasor, uns quantos soldados vergados pela culpa de terem abandonado os seus postos de guarda nas muralhas e ainda uma traidora judia que sobre essas mesmas muralhas apoiava os assediadores, se fôramos crentes na palavra desse Alcalanici que cronicava as guerras do tempo, e ainda as multidões que gozavam o fim do cerco por isso significar o encerramento das fomes que já sofriam, o medo do ataque pelos nazarenos, e o cansaço de que padeciam pelo elevado preço a que os bens alimentares haviam chegado, muito moderno era já o medievo entre os muçulmanos, cuja perícia financeira havia já inventado a inflação, muito antes das economias serem reféns do petróleo. E cordato foi este vencedor, que garantiu amnistias aos comuns entre os vencidos para que as suas casas não sofressem a pilhagem, o que muito reconfortou os que eram habitantes, embora pouco tivesse afagado os comerciantes, em cujos mercados se fez sentir o saque. O vencido, como em outros vintecincos dabris, fez a trouxa e zarpou para outras paragens, levando consigo o que levam os derrotados: um pedaço de vergonha, uma parte de humilhação, e as riquezas a que pôde deitar a mão.

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