66.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada
A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. A revolução, a nossa revolução, é do povo português. O tempo do paternalismo, dos mandões, dos senhores [66] da revolução, dos donos do país, acabou. [66] Andando à deriva pelo mundo, um estranho forasteiro foi dar com uma aldeia perdida numa serra na qual já não se avistava um estrangeiro há tantas décadas que os mais velhos nela só guardavam recordação de lendas acerca de tais eventos. Como se quisesse provar que era genuinamente dissimilar à boa gente da terra, o estranho mostrava a sua estranheza em tudo: sobre o corpo trazia um manto puído e sujo, rasgado em vários sítios e a desfiar-se em quase todas as orlas; trazia nos pés o calçado dos animais da floresta, apenas pele muito calejada e se...