réplicas dum terramoto (3)
A língua é um escopro tão forte que pode até moldar as formas do universo aos olhos de uma criatura. Como uma mãe, é capaz de conceber e gerar géneros em coisas nas quais eles seriam desnecessários, imputar pluralidade a um único e fino cilindro de carvão escritor, engolir todas as cores da neve numa só palavra, ou brotar meia dúzia de entendimentos sobre a cor do sangue. Não seria de estranhar que a língua, capaz de tantas maravilhas, fosse motor das emoções dos povos. Nem o é, certamente não o é, pois não são raros aqueles que garantem haver um qualquer sentimento, um tipo especial de dança que se baila no coração, que é intransponível aos que não habitam o seu idioma.
Curioso é que a disposição com que aceitamos competência ao vocabulário para dirigir essas coisas subterrâneas e reptilíneas como são a saudade, ou para moldar essas coisas superficiais e borboleteantes como são uma equipa de trabalho revestida do dignificante tásqueforse, raras vezes seja estendida às complexidades que nadam na meia profundidade do sentido da vida.
Assim é caso que um povo dificilmente dirá que a sua predileção pela ordem e pela transparência, que o pendor honesto ou que a dificuldade em vender a alma, sejam simples fios que se desdobram do grande novelo que é a língua de parlatura nas suas coordenadas. A língua é instrumento para praticar a honestidade e não para a inventar. O que é talvez uma das razões que expliquem que entre os povos de língua lusa, seja só nessa morna e luxuriosa luminosidade chamada Cabo Verde que a corrupção se afogue sem consumir recursos copiosos consigo.
Curioso é que a disposição com que aceitamos competência ao vocabulário para dirigir essas coisas subterrâneas e reptilíneas como são a saudade, ou para moldar essas coisas superficiais e borboleteantes como são uma equipa de trabalho revestida do dignificante tásqueforse, raras vezes seja estendida às complexidades que nadam na meia profundidade do sentido da vida.
Assim é caso que um povo dificilmente dirá que a sua predileção pela ordem e pela transparência, que o pendor honesto ou que a dificuldade em vender a alma, sejam simples fios que se desdobram do grande novelo que é a língua de parlatura nas suas coordenadas. A língua é instrumento para praticar a honestidade e não para a inventar. O que é talvez uma das razões que expliquem que entre os povos de língua lusa, seja só nessa morna e luxuriosa luminosidade chamada Cabo Verde que a corrupção se afogue sem consumir recursos copiosos consigo.