parábolas de Carlos Marques e Frederico Egas aos filhos duma revolução (7)

parábola da chuva

Os homens inventam coisas novas, mas o que mais fazem é copiar coisas naturais. Os eleitos comportam-se quase sempre com a naturalidade das chuvas que ficaram famosas por tanto jorrararem as suas dádivas sobre os bancos do Grande Nilo, as que beneficiam com apreço as grandes matas verdejantes e os litorais resplandecentes. As chuvas, rios volantes que migram pelo firmamento, têm ocasião de veranear por sobre os desertos, as planícies de argila gretada, os vales salinos. Mas a esses, ela recusa-se. Em vez de cair onde a sua bênção faria mais devotos, ela escusa-se, mantendo cada gota do seu licor no ar, para as poder abandonar aos solos férteis dos países prósperos. Continuam a sua vocação com a distância que os deuses exibem perante as réplicas dos mortais, confiando que os seus instintos são seguros.

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