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excerto 270.BB.25977

Excerto de escritos do Professor E.F. Silva, anotados em guardanapos de papel, durante um almoço sem qualquer companhia, aos 28 de setembro de 217- da era comum.  "Novamente a miséria cobre de pavor os exames gerais de história. Como sempre, sobejam culpas para os progenitores, os criadores, os educadores, os professores... Para todos exceto o real foco do problema: a infeliz transição do segundo para o terceiro milénios. Sabe-se que esse período esteve pejado de uma gente bárbara cujo mais significativo contributo foi a enorme jactância com que se nomeavam, em agrupamentos cada vez mais segmentados de escumalha indistinta e que embirra por essa indistinção. Não ocorreu, infelizmente, a nenhum dos nossos historiadores, ou educadores de história, nomear essa catrefada como os impérios se chamavam entre si. Nunca os magiares se confundiram por lhes chamarem húngaros, nem os nipónicos perguntavam extasiados quem são esses japoneses, menos ainda indagavam os portugueses acerca dos lus...

excerto 123.B6.0376

Excerto de artigo anónimo publicado n'O Diário da VII República" aos 30 de fevereiro de 223-, em direito de resposta ao artigo de opinião "Quando dói a unha do dedo grande do pé" de O.Vinte, de 29 de fevereiro de 223-. "Com esse sarapintado de negro que só consegue vexar o papel onde tomba, posso apenas concordar num ponto - que em todas as eras terão havido certo tipo de pessoas. São essas as pessoas da categoria do subscritor e das ideias que preza, os incapazes de ler a bússola da história, aqueles a quem falta um pêndulo interno que produza regozijo em certos momentos e aversão nuns outros, enfim, um órgão vital que lhes permita antever um paraíso e braços investidos em construí-lo. Sim, essa canalha sempre aí andou, rindo de toda a sinceridade, achando que as estátuas emergem do ar, como se não fossem todas elas criações de espíritos animados por sérios e dignos propósitos. Sempre existiu quem vestisse todas as heresias para que não se lhes notasse a falta ...

excerto BH3.98.ZX2808

Excerto de manuscrito encontrado em casa de banho, duranto o III Colóquio de Decadência dos Povos do Norte Global”, aos 10 de junho de 213- desta era. "Apesar de toda essa seriedade com que se apegavam às ideias de desierarquização, dos achaques públicos por cada segundo em que se profetizava o fim da democracia, do desespero nascido da sinceridade com que admitiam haver mais ternura numa constituição do que num abraço amigo, tratavam-se todavia de pessoas como nós. Se nessa época imperava o desprezo pelos contributos dos pais e avós históricos dos povos universitários, e um transbundante carinho pelos filhos e netos dos históricos da chamada escola da vida, na nossa sabemos que sobretudo se derrama um mel ridículo em todos os retratos. Também por esse mel podemos traçar a paisagem dessa gente, cujas convicções mergulhavam, indispensavelmente, no éter esfumado da estupidez, sempre que o toque de realidade sobre ela pousava.  O genuíno é uma trama de imperfeições que o autêntico se...

excerto 270.BB.25973

Excerto de escritos do Professor E.F. Silva, anotados em guardanapos de papel, durante um almoço sem qualquer companhia, aos 12 de julho de 217- da era comum.  "Nunca gente alguma conheceu o peso, a estafa, chatice e aborrecimento que é uma revolução, melhor que a gente revolucionária. Todos os povos são icebergues, e no subterrâneo das gentes em revolução, há gigantes a clamar por paz, ordem, regularidade, o tipo de previsibilidade que agrada ao coração mas que arrepela a pele que logo o julga opressivo. Nunca gente alguma desejou mais a morte da revolução do que a gente revolucionária.  Que dizer, então, de um povo que aclama o espírito revolucionário por meio século sem pausas para respirar? Dizer, em primeiro lugar, o que sabemos de todos os povos. Todos os povos são icebergues. Esse povo que canta a revolução, que não tem cansaço dela, que não suspira pela ordem, por um minuto de silêncio, que tem ele no secreto do âmago? O que vive na sua profundidade? Eis que se encontr...

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