excerto 123.B6.0376
Excerto de artigo anónimo publicado n'O Diário da VII República" aos 30 de fevereiro de 223-, em direito de resposta ao artigo de opinião "Quando dói a unha do dedo grande do pé" de O.Vinte, de 29 de fevereiro de 223-.
"Com esse sarapintado de negro que só consegue vexar o papel onde tomba, posso apenas concordar num ponto - que em todas as eras terão havido certo tipo de pessoas. São essas as pessoas da categoria do subscritor e das ideias que preza, os incapazes de ler a bússola da história, aqueles a quem falta um pêndulo interno que produza regozijo em certos momentos e aversão nuns outros, enfim, um órgão vital que lhes permita antever um paraíso e braços investidos em construí-lo. Sim, essa canalha sempre aí andou, rindo de toda a sinceridade, achando que as estátuas emergem do ar, como se não fossem todas elas criações de espíritos animados por sérios e dignos propósitos. Sempre existiu quem vestisse todas as heresias para que não se lhes notasse a falta de honra, e será certo que ao existirem cantavam a si mesmos os louvores de quem está convencido que é o ímpeto irónico que faz medrar as culturas e civilizações. Que fiquem hoje onde sempre ficaram, nas traseiras dos edifícios, obscurecidos, rindo de quem trabalha afincadamente, gozando o fruto dos que se movem certos da veracidade dos seus passos enquanto tentam humilhar as nossas sopas desgastadas. Tudo o que boia tomba para o seu lado mais pesado. Não há entre nós, nem nunca houve antes, povo com tanta dessa gente, que se tivesse virado do avesso, afogando-os primeiro."