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66.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. A revolução, a nossa revolução, é do povo português. O tempo do paternalismo, dos mandões, dos senhores  [66] da revolução, dos donos do país, acabou. [66] Andando à deriva pelo mundo, um estranho forasteiro foi dar com uma aldeia perdida numa serra na qual já não se avistava um estrangeiro há tantas décadas que os mais velhos nela só guardavam recordação de lendas acerca de tais eventos. Como se quisesse provar que era genuinamente dissimilar à boa gente da terra, o estranho mostrava a sua estranheza em tudo: sobre o corpo trazia um manto puído e sujo, rasgado em vários sítios e a desfiar-se em quase todas as orlas; trazia nos pés o calçado dos animais da floresta, apenas pele muito calejada e se...

65.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Por isso e aproveitando a presença na nossa pátria de milhares de compatriotas que vieram passar um mês de merecidas férias [65] , quero afirmar solenemente, e mais uma vez, mais sei lá do que tantas vezes, quero afirmar solenemente que os seus bens, o produto do seu trabalho, são sagrados!  Exortá-los também a repudiar tanto em portugal como nos países onde ganham a vida, os que tentam semear a divisão entre os emigrantes, os que tentam separar os emigrantes da sua mãe-pátria. Compatriotas que ganhais a vida lá fora. Não deis ouvidos aos boatos. Participai ativamente na obra de reconstrução da vossa pátria para que os vossos filhos e netos não sejam obrigados a passar o que tendes passado, a sofr...

64.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Não se trata portanto de um socialismo tal como o apregoam aqueles para quem o vinte e cinco de abril deveria tão somente ser um render da guarda, uma substituição dos gerentes fascistas dos monopólios e latifúndios, por uma nova geração de gerentes democráticos, e se necessário com umas tintas socializantes, dos mesmos monopólios e latifúndios. Só o socialismo, criando novos postos de trabalho, aumentando a riqueza nacional, libertando cada um de nós da exploração alheia [64] , fará com que nunca mais um português abandone mulher e filhos para ir vender a sua força de trabalho longe da terra natal. [64] Nos princípios de tudo, uma criatura pensante teve uma ideia. Já não se saberá o seu nome, o que é...

63.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. A este processo chamamos nós “processo revolucionário de transição para o socialismo”, porque na realidade se trata de revolucionar um modo de vida baseado na exploração de todos os produtores. Porque se trata de pôr fim ao despotismo de meia dúzia de ricaços, para que os milhões de trabalhadores sejam enfim prósperos, livres e felizes. Porque se trata de criar condições de vida para que mais nenhum português se veja obrigado a expatriar-se a fim de ganhar o sustento dos seus. Processo pois revolucionário de transição para o socialismo, porque só o socialismo, o autêntico, dará a cada um de nós o pão  [63] e as rosas, o sustento e o saber. [63] Era já o sétimo templo e de novo a mesma promessa, qu...

62.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Bastará olharmos para a composição desses quadros dirigentes nos diversos ministérios para verificarmos que neles se encontram individualidades das mais diversas tendências políticas. O mesmo se passa nos quadros dirigentes das empresas públicas e nacionalizadas. Tudo tem sido dito, tudo está a ser feito para travar e deter o nosso processo de marcha em frente por um Portugal mais próspero e mais feliz, por uma pátria mãe de todos os portugueses e mais extremosa com aqueles  [62] que a constroem dia a dia com o suor do seu trabalho: os camponeses, os operários, os pescadores, os pequenos e médios industriais, comerciantes e agricultores. [62] Assim são as avós, nunca sentindo a vergonha de afirmar...

61.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. O mesmo não podia passar-se ao nível da administração central, onde só algumas individualidades mais comprometidas com o regime anterior foram afastadas. Poderá dizer-se que nos lugares de dirigentes deixados vagos pelo saneamento  [61] e nos lugares novos que foram criados, foram colocadas só individualidades daqueles partidos atrás referidos? [61] Eram perto das onze horas da noite, talvez a pior altura, sim, com certeza a pior altura, a hora das indelicadezas, das pessoas sem decência nem respeito, a hora do desrespeito. A essas horas, já as crianças estariam deitadas, os progenitores a descansar algumas partes do corpo sobre uma superfície mole ou almofadada, desejando que o compasso entre o s...

60.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Agora vou falar também de um outro assunto candente e depois de eu falar nisto eles dirão “Ali está o pró-comunista, ali está o homem ao serviço do partido comunista”. Mas quando a gente tem a consciência tranquila, e tem bem assentado no nosso interior o amor da nossa pátria, a gente não ouve essas coisas. Nem se impressiona com isso. Na campanha de intoxicação da opinião pública a que assistimos, fala-se muito de que os lugares-chave da administração central e local estão ocupados por individualidades do pêcê, do emedêpê e de outros partidos políticos de esquerda em detrimento do pêésse, do pêpêdê ou do cêdêésse. Ora o que se passa na realidade desmente de maneira absoluta as atoardas de tal campanh...

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