2.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada
A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam. Porquê? Porque eu penso que a política deve ser feita defronte de vocês e não nas vossas costas[2] . [2] A isto se chama inocência, sinceridade, abertura de espírito, imbecilidade. A política, sabe-se, singra com raízes mais fortes quando semeada nas costas dos olhares. Que povo, que animal feroz, sedento, é capaz de morder as canelas de um tronco cuja grossura já ultrapassou uma embocadura popular? Assim, a estratégia demanda cautela, sobriedade, silêncio, a gestão racional e deliberada do rumor e da fofoca. Desta forma se planta a boa política, a política sadia, a política consequente, a sobrevivente, a frutífera, no segredo da traição, dentro das sombras da noite, encaixada entre dois sussurr...