72.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada
A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam.
Viva a unidade [72] no seio das forças armadas! Viva o movimento das forças armadas. Viva a unidade entre os partidos políticos progressistas! Viva a unidade de todos os trabalhadores! Viva a aliança do povo e do movimento das forças armadas! Viva a nossa pátria.
[72]
Num nó. Bem atada e espartilhada, não há multiplicidade que possa escapar à
união. Um grupo de estames de cereal torna-se uma singularidade. Qualquer
açaime pode produzir a identidade sobre um grupo de indivíduos. Um nó cerrado,
uma mordaça, já era assim que os faraós passeavam os egípcios, que os
imperadores traziam os cidadãos romanos, as suas mulheres e os seus escravos.
Numa grilheta bem seriada, até já se puderam construir carris nas fronteiras
ocidentais do além-mar. A amarra tem sobre a cola a vantagem de não sujar tanto
os dedos de quem a ata. E outra: é que sempre haverá entre os enfaixados, quem
nela veja um maravilhoso laço.