35.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada
A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam.
Eu devo dizer-vos aqui o seguinte: não há nenhuma revolução, que numa determinada fase da sua história, que não tenha tido uma base de apoio restrita, pois é precisamente neste momento que é preciso um governo forte e com autoridade e é preciso dar essa autoridade a este governo. E nesse aspeto, o povo português tem um grande papel [35] a desempenhar, é mostrar se está contra ou se está a favor deste governo.
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Assim dito, dir-se-ia que não passa de uma acusação, a pretensão de que o povo não tem sincera e original naturalidade nas suas ações, que as suas falas foram preparadas por um escritor de grande calibre mas que ele, esse povo, mais não faz do que passear a sua vácua vaidade sobre um palco, recitando os versos que um excelso marionetista lhe reservou. Quase se diria um insulto, se fosse este o tipo de papel, o tipo de grande papel, que tem o povo português. Mas não: o que tem é essa raridade das papelarias comuns: um A1. Ah, já não admira que haja tanto patriotismo!