9.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada

A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam.

Não satisfeitos com a total liberdade de que desfrutam no país, tais indivíduos, ao verem que o tempo trabalha contra os seus interesses de politiqueiros ávidos de poder, transformaram-se, sem vergonha, nos principais fornecedores das oficinas reacionárias que, em portugal e no estrangeiro, porfiam em lançar o descrédito sobre o nosso empreendimento patriótico a que deitámos ombros [9], desde o vinte e cinco de abril, para que cada português seja livre e feliz.



[9]

Submerso no peso soterrante
De ombros obstinados
O desejo dos patriotas arfa fados
Sequiosos de ar respirável.

 

Atirados como redes encarcerantes
Mil dedos acusadores
De mil e um salvadores
Arranham a pele dos ombros deitados.

 

Sufocada pelo peso arranhado
A empresa de colorida bandeira
Definha toda, e inteira
Numa noite de lua sem fim.

 

Foi já desta maneira e por corolário
Trémulo, mudo e sacudido
Que um patriotismo abatido

De amigos e inimigos teve exéquias.


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