14.ª Nota ao discurso de Vasco Gonçalves em Almada
A 18 de agosto de 1975, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves proferiu um discurso em Almada. Quase cinquenta volvidos deste período, a leitura atenta, cuidada e imparcial desse discurso, informada por tantas décadas de democracia, oferece umas notas de leitura, que doravante de apresentam.
Cá dentro, não hesitam em aliar-se ao que há de pior na sociedade portuguesa [14]. Lá fora, rojam-se aos pés de quem não admite que um pequenino povo como o nosso tenha a pretensão de ser plenamente livre e feliz! É facto que, após quarenta e oito anos de fascismo, o comportamento deste género de indivíduos não nos surpreende sobremaneira já que são o produto acabado de um regime que privou sucessivas gerações de qualquer educação cívica e patriótica... Enfim, repito, essa gente é como é...
[14]
... os funcionários, os praticantes, os beatos, os militantes, os empregados, os assinantes, os militares, os estudantes, os limpadores, os viajantes, os malcriados, os diletantes, os esfaimados, os emigrantes, o imigrados, os ambulantes, os descuidados, os atentantes, os serviçais, os executantes, os bebedolas, os esgazeantes, os titulares, os meliantes, os conquistados, os traficantes, os desdentados, os bafejantes, os pagadores, os governantes, os esticadores, os esparramantes, os pugilistas, os desafiantes, os extremistas, os mendicantes, os entupidos, os desengordurantes, os restituídos, os difamantes, os eletricistas, os isolantes, os malabaristas, os anunciantes, os friorentos, os escaldantes, os poeirentos, os brilhantes, etcetera etcetera etcetera