Liberdade
O vento entrava apenas quando alguém abria uma janela. Antigamente era mais para alguém fumar um cigarro minimizando o incómodo. Por esses dias costumava ser por alguém se sentir enjoado ou porque um conjunto de traquinas mais jovens se desatava a peidar ao despique. Os bancos estavam gastos, e o pó tapava as pequeninas fendas que o tempo ia abrindo nos encaixes. Cada vez que passavam por uma estrada esburacada era a folia total, uma pequena diversão. Era assim todas as manhãs. A malta juntava-se, entrava nela até ela transbordar de gente, e ela seguia cheia de vida, cheia de conversas, cheia de cantigas, a carrinha chamada Liberdade. A malta sempre variava, não havia clientela fixa. Também o motorista se revezava, não sendo de ninguém o dever de a guiar. Era direito de todos, e quando algum acordava com essa disposição, rápido corria para ela sabendo que se fosse o primeiro a chegar teria a honra de decidir as paragens desse dia. Não que o pudesse fazer sem precaução. Em toda a c...